Postagem em destaque

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Cultura na Aldeia Global

 




Ano de 2006.

A internet já fazia parte do cotidiano de muita gente mas não tinha a abrangência de hoje.

Periódicos impressos, com divulgação artística e cultural, eram relevantes.

No setor independente, essenciais para aqueles que não conseguiam espaço na grande mídia.

Com o slogan Cultura na Aldeia Global , a publicação trimestral  Mensageiro tinha sua base em Quaraí - RS e leitores no país inteiro.

A tiragem de 600 exemplares era considerável para publicações alternativas e os anúncios diversos mostravam que o editor, José Alberto, conseguia captar apoiadores.



Tive o prazer de participar desta edição 26. 

No editorial,  destaque para o trecho abaixo:

 ..."adotamos uma política que não exclui, não rotula e não diferencia"

A agilidade do universo digital é louvável mas não se pode negar a importância de  impressos que contribuíram para expressões artísticas e culturais.




terça-feira, 27 de abril de 2021

The World To Come: amor e frases entre mulheres

"Mesmo a melhor carta é só um pedacinho de alguém".

"Sou uma livraria sem livros".

Estas frases do filme The World To Come são exemplos de como o filme oferece algo mais que visual.

O amor das duas personagens, além das cenas românticas que demoram a acontecer, evidencia-se também nos diálogos  profundos.

No caso das frases acima, uma é escrita quando a distância impossibilita encontros regulares e a outra mostra como uma delas se sente (vazia, oca e obviamente triste).

Uma livraria sem livros é lastimável, ainda mais em tempos onde livros são depreciados e a ignorância enaltecida.

Um dos maridos recorre a trechos bíblicos para lembrar que a mulher tem suas "obrigações" matrimoniais de alcova mas apesar de retratar tempos antigos, atualmente muitos religiosos

recorrem a bíblia para justificar submissão feminina e obediência matrimonial.

 A direção é da norueguesa Mona Fastvold. 

Vanessa Kirby aparece com  longos cabelos ruivos e voz  sensual, interpretando Tallie.

 Katherine Waterson representa Abigail, uma mulher abalada com a perda da filha que encontra na paixão por Tallie um motivo para sentir-se realmente viva.

Casey Affleck e Cristopher Abbott representam os maridos.

O filme mostra que a vida de todos era de sacrifícios e amarguras;  para as mulheres era ainda pior pois as regras tidas como comuns eram de submissão e anulação.

Que bom que o amor não segue regras injustas.

 

sábado, 24 de abril de 2021

Pacarrete e Marcélia Cartaxo: duas gigantes

O filme Pacarrete, dirigido magistralmente  por Allan Deberton, foi escrito também por André Araújo, Natália Maia e Samuel Brasileiro.

Marcélia Cartaxo já havia arrebatado meu coração, sendo minha eterna Macabéa;  pensei que seria difícil reconhecê-la em outra personagem tão intensa.

 

Ledo engano. Marcélia é uma atriz excepcional.

Incorporou Pacarrete,  professora, pianista e bailarina aposentada que voltou para a cidade natal, Russas, interior do Ceará, após viver longos anos na capital.

Seu jeito de falar é incomum, entre o enérgico e o irritado mas ela é pura sensibilidade.

Sua arte não tinha a valorização devida na cidade, onde ela era vista como insana.

Abaixo segue o link da prefeitura de Russas, comentando sobre Pacarrete:

https://russas.ce.gov.br/museu/exposicao-de-longa-duracao/filhos-ilustres/13-maria-araujo-lima-pacarrete-professora/ 

Todo o elenco entrega um trabalho justo e João Miguel nos oferece a interpretação tranquila de quem interpreta como se fosse a coisa mais simples do mundo.

No final, é bom observar com atenção a frente da casa subindo e a transformação de rua em palco, algo visualmente poético e belo.

Os figurinos de Pacarrete são admiráveis e valem um registro.

O filme é de 2019, por motivos diversos demorei para assistir mas finalmente tive o prazer de ver algo que me tocou lá no fundo.



sexta-feira, 23 de abril de 2021

A pandemia desacelera algumas coisas mas acelera outras

 Com o passar dos meses ficou  evidente que eu não participaria de eventos tão cedo.

Ugrazine Fest, Fanzinada e Poc Con foram essenciais para expor e vender publicacões da Katita.

mas agora, excessivamente dentro de casa por questão de segurança e bom senso, fui me incomodando com os exemplares aqui parados.

Selecionei youtubers, formadores de opinião e divulgadores em geral e nas poucas vezes que me aventurei a ir ao correio, enviei a publicação dupla.

O resultado foi  o trabalho muito mais divulgado que na época do lançamento.

Ou seja, a pandemia infelizmente impossibilitou eventos importantes no setor artístico e cultural mas encontrei uma maneira de fazer a publicação  circular, ir para as mãos de algumas pessoas que divulgaram e tornaram o trabalho mais conhecido.

Dois exemplos:

O cantor Falcão:



E mais recentemente Sergio Viula:


Para ambos, meu agradecimento.

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Algo sobre a Revista Capricho

 A revista Capricho ficou na mente e no coração de muita gente.

Nesta edição, número 622 ( junho de 1987 ), o Cafofo destaca que assuntos polêmicos  também tinham vez.


O equivocado termo Homossexualismo era utilizado; hoje o correto é

homossexualidade.

Um dos participantes comenta que a relação homossexual é algo terminal pois na época era incomum filhos em relacionamentos homossexuais.

Enfim, é preciso observar a matéria como reflexo de uma época. 


 

O tema ainda é polêmico e repleto de preconceitos, apesar de alguns avanços, mas fica o registro de uma revista que oferecia muito mais que capas com garotas bonitas.