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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

O Preço da Inconsequência


O Inconsequente Coletivo 3 é uma prova de que a publicação independente brasileira vai muito além do recorte, cole e faça xerox.
A bela capa, declaradamente inspirada no Laerte (Piratas do Tietê) e com  fundo multicolorido, já é  indício da qualidade que virá a seguir:
Ótima diagramação de Bia Neves e páginas repletas de criatividade, com nomes e tendências variadas.
Lafaiete Nascimento
Por ser edição dessa natureza é óbvio que os leitores terão sua opção por esse ou aquele trabalho já que o editor, Lafaiete Nascimento, não fez uma reunião de autores com expressões semelhantes. Isso é muito bom quando a publicação coletiva não está atrelada a determinado tema.
Eu gostei da Dionéia, do próprio Lafaiete. A personagem é uma planta que devolve  o que recebe dos humanos e isso pode render muitas e muitas tiras.
Fica a impressão de que cada participante ofereceu seu melhor e a relação entre grafite e pinturas rupestres, no trabalho do Kiko Garcia( Kicomics), mostra que vem de longe a vontade de se expressar através de desenhos.
No final, o editor dá um salve para muita gente, inclusive para mim.
Valeu!
A impressão é da Atomic Books e quem quiser saber mais detalhes ou receber a publicação, pode escrever para o e-mail abaixo. O preço dessa inconsequência é 6 reais e vale muito mais.
 
 
Obs: capa e foto extraída do facebook do editor

quinta-feira, 30 de julho de 2015

O Espiritismo e o Casamento Gay

                   Richard Simonetti
 
            Não temos a posição do Espiritismo sobre o casamento gay, porquanto o assunto não foi abordado na Codificação, mas podemos, com base na liberdade de consciência preconizada pela Doutrina, considerar o elementar: não há por que opor-se a duas pessoas do mesmo sexo que decidam viver juntas, independente do fato de manterem ou não uma comunhão sexual.
            Observemos as questões abaixo, de O Livro dos Espíritos:
            Questão 200. Pergunta Kardec: Os Espíritos têm sexo?
            Responde o mentor: Não como o entendeis, porque o sexo depende da organização. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na afinidade de sentimentos.
            Questão 201. Pergunta Kardec: O Espírito que animou o corpo de um homem pode animar, em nova existência, o de uma mulher e vice-versa?
            Responde o mentor: Sim, são os mesmos os Espíritos que animam os homens e as mulheres.
            Se os Espíritos não têm sexo como morfologia, podendo reencarnar como homem ou mulher; se o que há entre eles é amor e simpatia, baseados na afinidade de sentimentos, o que os impede de cultivar um relacionamento afetivo com alguém do mesmo sexo?
            Qualquer par de homossexuais, masculino ou feminino, indagado quanto à natureza de seu relacionamento, nos dirá que é muito mais uma questão de comunhão afetiva do que carnal. Não fosse por isso, não haveria razão para viverem juntos.
            Nessa condição, têm o direito de formalizar em cartório a decisão, até por uma questão prática, envolvendo sucessão, herança, pensão, bens adquiridos em comum… Antes a lei determinava que esse contrato fosse celebrado por um casal. Hoje, em muitos países, inclusive no Brasil, essa exigência foi abolida.
            Considerando a semântica, há quem não admita a definição casamento para esse contrato social. Não vejo por quê. A língua portuguesa é muito generosa com relação às suas expressões.          Frequentemente apresentam vários significados, não raro até aparentemente contraditórios. O dicionário Houaiss diz, dentre outras acepções, que casamento pode ser uma associação ou uma aliança. Essas expressões, por extensão, contemplam a união entre duas pessoas do mesmo sexo, registrada em cartório para os fins legais.
            Só não podemos admitir um casamento espírita, nos moldes das religiões tradicionais, já que a Doutrina não tem ritos nem rezas, nem ofícios nem oficiantes. Aprendemos que todo ato de comunhão com a espiritualidade é eminentemente único e pessoal, um assunto entre nós e a divindade.
            Por isso, quem deseje pedir as bênçãos divinas para uma união matrimonial, para um filho que nasce ou um familiar que desencarna, deve fazê-lo pessoalmente, sem intermediação, elevando o pensamento na prece contrita.
            Demonstrando que o casamento gay transcende a mera questão sexual, não raro os parceiros, sejam do sexo feminino ou masculino, adotam filhos, formando uma família.
            Há quem não aceite, sob a alegação de que dois pais ou duas mães irão confundir a cabeça da criança.
            Atendendo a essa objeção, pergunta-se: o que é preferível, a criança experimentar o trauma de crescer num orfanato ou, pior, na rua, ou ser cuidada e educada num lar formado por dois pais ou duas mães? Considere, prezado leitor, algo ponderável: pesquisas com crianças educadas por gays revelam que não apresentam dificuldades no relacionamento social. Muitas se saem até melhor nos estudos.
            Tudo o que a criança precisa é de um lar ajustado, onde receba muito amor, não importando se é educada por homo ou heterossexuais.
 

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Sem distribuição mas com determinação


Para fazer uma publicação alternativa chegar aos leitores, sem distribuição em livrarias e bancas, é essencial participar de eventos onde isso seja possível.
Mesmo com a internet proporcionando uma alternativa de divulgação e vendas, feiras de zines e atividades relacionadas são ferramentas indispensáveis.
Publicar é apenas o primeiro passo de um longa caminhada mas é assim que o setor independente vive e sobrevive, mesmo diante das dificuldades. Alguns lançamentos chegam a obter um destaque maior como Katita-Tiras Sem Preconceito que recebeu dois Prêmios Angelo Agostini (melhor lançamento e melhor roteirista).
A revista Picles Só Mulherada! também segue sem ampla distribuição mas com o trabalho louvável do Worney de Souza que deixa exemplares da publicação em algumas livrarias da capital paulistana.


 
 
 
 
 

terça-feira, 9 de junho de 2015

Neymar e um Negro também "foram" Crucificados


O que mais me chocou no último domingo, na Parada do Orgulho LGBT, foi o depoimento do pai que teve  um filho assassinado por homofóbicos.
O jovem teve o rosto desfigurado pelos assassinos mas isso não chamou tanta atenção. Também não comentaram sobre centenas de evangélicos de igrejas (inclusivas ou não) que participaram do evento.
Nem as lágrimas das Mães Pela Diversidade tiveram tanto destaque como o trio elétrico mostrando uma crucificação polêmica.
Basta pesquisar na internet e várias imagens de pessoas crucificadas são mostradas.
No entanto, não causaram reações raivosas de fundamentalistas.
A crucificação envolvendo alguém da comunidade LGBT, aí sim, é motivo de ataque nas redes sociais e na imprensa.
Que cada um tire suas conclusões.